15/02/2009 - Extreme Hate Festival: SINISTER, OPHIOLATRY, LACONIST, CHAOS SYNOPSIS, ITSELF E KROSS, na Tribe House (SP)

Provando mais uma vez a força do death metal em nossa terra, foi realizado no dia 15/02, o EXTREME HATE FESTIVAL, organizado pela DARK DIMENSIONS PROD. Este mini fest teve como atração principal a lenda do death metal holandês SINISTER. Além dos holandeses, também tocaram 5 bandas do cenário extremo nacional.

O evento em si foi muito bem organizado, tendo como falha apenas o enorme atraso para início dos shows, já que no cartaz dizia que se iniciaria às 15:00 e a primeira banda só subiu ao palco após as 18:00!!! Algo inadmissível em um evento desse porte....


A primeira banda a se apresentar foi o KROSS, de Jundiaí. Tocando um misto de thrash com metal tradicional, a banda até que se esforçou em cima do palco, porém seu som é genérico demais e carece de personalidade. Não me leve a mal, os músicos são bons, esforçados e muito raçudos, porém ainda têm muito que evoluir para chamar a atenção nesse já concorrido mundo do Metal. Primeiramente devem se decidir qual estilo seguir!! Pois, ao mesmo tempo que bases thrash abundam nas músicas da banda, o vocalista arrisca linhas agudas a la bandas de metal melódico (e com resultados duvidosos)... Sinceramente, essa mistura não deu certo... Tocaram músicas próprias como Silent Horror e Hellfire e ainda covers de Kreator e Testament. Como se trata de uma banda jovem há tempo, e há espaço de sobra para a banda evoluir no cenário nacional, vamos esperar para ver!

Após o Kross, foi a vez do CHAOS SYNOPSIS, de SJC, se apresentar! E que show fizeram! Agora com a formação de power trio, Jairo(baixo, vocal), Marloni (guita e backing vocals) e Vitor (bateria), despejaram cerca de 35 minutos de um thrash/death bem agressivo e cru, na veia de bandas como Kreator/ Sodom, só que com o lado death um pouco mais evidenciado. A performance dos três no palco é bem legal e contagiante e, durante o tempo que estiveram tocando, puderam nos presentear com sons como Only Evil can Prevail, Behind The Masks e 2100 AD entre outras que estão no EP de mesmo nome. Para finalizar o show, tocaram uma versão de Zombie Ritual do grande Death. Excelente show de uma banda que tem tudo para crescer neste ano de 2009.

A 3° banda a subir no palco foi o OPHIOLATRY, tradicional banda do cenário brutal tupiniquim. Também um power trio, o grupo destilou seu brutal death metal durante toda a apresentação de forma avassaladora, levando os fãs do estilo ao delírio. Tocaram sons de toda a carreira, tais como NeuroPsycho Perverse, e Messiah of Deformity e fecharam o show com a faixa título da demo de 1999, OPPOSITE MONARCHY, segundo o guitarrista Fabio uma homenagem aos que sempre apoiaram a banda nesses 10 anos de estrada. Profissionalismo, honestidade e conhecimento de causa foram a tônica deste grande show apresentado pelos maníacos do Ophiolatry.

Continuando na linha death metal brutal, quem tocou a seguir foram os campineiros do LACONIST, que fizeram o primeiro show com o novo guitarrista Polaris. E o que vimos no palco fui um massacre death metal! Seguindo a linha de bandas como Lost Soul, Centurian e Morbid Angel, pudemos ver uma banda bem entrosada em cima do palco, e com um repertório altamente convincente. Tocaram as 4 músicas da demo Blessed in Cthonic Salvation e mais 3 composições novas, que seguem à risca a tradição da banda, com riffs carniceiros, bateria esmagadora, bases brutais e vocais horrendos (no bom sentido, claro), tudo temperado com a técnica irrepreensível de seus integrantes, principalmente o guitarrista André Neil, desde já um dos grandes compositores da nossa cena extrema. Outro ponto a favor da banda é o vocal de Glauco, que não fica somente no gutural “cachorrão” , ele tem um timbre mais old school, que contrasta muito bem com o som da banda. Apesar de o som ter embolado um pouco nas primeiras músicas, o show foi excelente e, tendo em vista as novas músicas apresentadas, só nos resta aguardar a banda lançar o tão esperado debut que, com certeza, virá esmagador!

Após os dois melhores shows da noite, quem tocou foi o ITSELF, banda de thrash/death de SP. Formada por Ricardo (guita/ backin vocals), Estevan (batera e vocal) e Rodolpho (baixo), a banda fez um show competente, porém que foi um pouco atrapalhado devido a problemas técnicos, principalmente com a bateria. A banda consegue trafegar com desenvoltura pelo thrash e pelo death metal, e conta com músicos gabaritados, tanto que algumas passagens de seu som nos trazem a mente bandas da nova geração do death metal mais técnico, estilo Beneath The Massacre, Job for a Cowboy, etc... Devemos destacar o batera Estevan que manda muito bem nas baquetas e ainda tem fôlego para cantar as músicas... Aqui talvez entre a minha única ressalva com a banda, apesar de ter uma atuação a ser elogiada, os vocais do baterista não combinam com o som da banda, e o fato de não ter um frontman como uma figura central no palco, também deixa o show um pouco ‘vazio’. Tocaram músicas próprias como Make my suffer short e Psychotic Domination e também tiveram tempo para um cover do Vader. Um bom show de uma banda que demonstra talento e tem tudo para evoluir.

Pela primeira vez se apresentando no Brasil, os holandeses do SINISTER fizeram um show correto, e nada mais. Durante cerca de uma hora, a banda demonstrou técnica, presença de palco e profissionalismo ímpares, porém não chegou a empolgar tanto o público como era de se esperar.... Não, o show não foi ruim, muito pelo contrário, porém ficou faltando alguma coisa... Não sei se os integrantes estavam cansados pela viagem, ou sofrendo com o calor, mas é verdade que faltou um pouco mais de vontade em cima do palco, mais ‘poder de fogo’ se é que vocês me entendem... Hoje a banda conta com o Adrie nos vocais (ex-batera do grupo), Edwin na bateria, Alex na guitarra e Bas no baixo. Para a alegria dos fãs, os holandeses tocaram clássicos do porte de To Mega Therion, Cross The Styx, Leviathan e também músicas de seu mais recente disco, The Silent Howling, como a faixa título. Se olharmos do ponto de vista estritamente profissional, o show foi OK, porém no olhar do fã, como é o caso deste que vos escreve, eles deixaram um pouco a desejar.

Em resumo, foi um ótimo festival para os amantes do metal extremo e, como podemos averiguar no texto acima, mais uma vez constatamos o alto nível do Death Metal nacional, que fez frente a uma das maiores bandas da história do estilo. Parabéns às bandas e à organização por mais esse serviço prestado ao METAL!

DEATH METAL REINA!!

Daniel Beraldo
Grupo Metal Rise

 


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