20/05/2010
- ZZ TOP EM SÃO PAULO – UMA AULA DE ROCK'N'ROLL
Depois
que o Brasil entrou em definitivo na rota dos shows
internacionais, há mais ou menos uns 25 anos
(desde o primeiro Rock In Rio, para ser exato), as expectativas
dos fãs de praticamente todos os estilos de rock
foram satisfeitas. Afinal, de Rolling Stones a Paul
McCartney e de Metallica a Guns N'Roses, passando por
praticamente todas as bandas de médio escalão
do heavy metal, é difícil apontar um nome
que nunca tenha vindo experimentar o calor do público
brasileiro e entornar umas caipirinhas por aqui. E dentre
esses poucos que faltavam, um acaba de sair da lista:
ZZ Top.
Um
dos grupos mais respeitados do blues rock sulista, o
power trio que há mais de quarenta anos mantém
a mesma formação – Billy Gibbons
(guitarra e vocal), Dusty Hill (baixo e vocal) e Frank
Beard (bateria) – matou a vontade dos fãs
num show previsível, é verdade, mas de
extrema competência, na quinta-feira, 20 de maio,
no Via Funchal, em São Paulo – uma outra
apresentação foi marcada em cima da hora
para o dia seguinte por causa da imensa procura por
ingressos.
A
abertura ficou por conta do sertanejo arrependido Hudson
Cadorini. E deixou claro que você tira o sujeito
do sertanejo mas não tira o sertanejo do sujeito...
Munido dos melhores instrumentos e da melhor banda (com
exceção do vocalista) que o dinheiro pode
comprar, o ex-caipira com nome de posto de gasolina
posou de rockeiro e fez uns quatro temas instrumentais
absolutamente insossos e os assassinatos covardes de
Highway Star (Deep Purple) e Feel Like Makin' Love (Bad
Company). Mais que um oportunista, Hudson é um
músico sem carisma e que tecnicamente fica no
mesmo nível que qualquer aluno mais ou menos
aplicado de um IGT da vida, repetindo sempre os mesmos
três ou quatro truques manjados como solista.
Dizem
que a provação antecipa o júbilo,
e ele veio em seguida quando o trio texano tomou o palco
do Via Funchal. Enquanto Beard fica lá no fundo
marcando as músicas com precisão e pagada
absurdas, além de acender um mata-rato atrás
do outro, a dupla de barbudos Gibbons e Hill faz a alegria
da galera. As músicas foram acompanhadas por
clipes que eram exibidos no telão atrás
do palco, dando uma "empurrada" no tema de
cada uma delas. O blues rock movido a riffs grudentos
que fez a fama e a fortuna do trio continua afiadíssimo,
assim como a presença de palco de baixista e
guitarrista. É evidente que se trata de um show
totalmente marcado, em que cada movimento é combinado
antes sem dar brecha para qualquer improviso. Mas, e
daí? Qual show não é assim hoje
em dia? E, no caso do ZZ Top, a coisa fica ainda mais
divertida porque todos aqueles passinhos e aquele gestual
que a banda popularizou nos clipes, lá nos anos
80, apareciam certeiros no show.
Dois
covers bem sacados, Future Blues (Willie Brown) e especialmente
Hey Joe (Jimi Hendrix), dividiram a noite com outros
dezoito temas próprios, com destaque para Got
Me Under Pressure, Waitin' For The Bus e Jesus Just
Left Chicago. Mas a casa veio abaixo de vez com a trinca
Gimme All Your Lovin', Sharp Dressed Man e Legs, todas
do álbum Eliminator (1983), que fechou a primeira
parte da apresentação. Após aquela
saída fingida de sempre, a banda voltou para
mais três músicas, encerrando pra valer
com Tush, debaixo da veneração explícita
do público.
Daí
em diante, foi só guiar de volta pra casa com
uma certeza na cabeça: os caipiras deles são
muito melhores do que os nossos...
SET
LIST
Pincushion
I'm Bad, I'm Nationwide
Future Blues (Willie Brown)
Rock Me Baby
Cheap Sunglasses
Francine
I Need You Tonight
Hey Joe (Jimi Hendrix)
Brown Sugar
Party On The Patio
Just Got Paid
Gimme All Your Lovin'
Sharp Dressed Man
Legs
Bis
Viva Las Vegas
La Grange
Tush
Antonio
Carlos Monteiro - Revista Roadie Crew, especial para
o Metal Rise
(Fotos: Jack Way Blanco)